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Tarifa simples, bi-horária ou tri-horária: qual escolher?

Comparação entre tarifa simples, bi-horária e tri-horária de eletricidade

Escolher entre tarifa simples, bi-horária ou tri-horária pode fazer diferença na fatura, mas a opção mais barata não é igual para todas as casas. O resultado depende sobretudo de quando a eletricidade é consumida. Uma família que concentra máquinas, termoacumulador ou carregamento do automóvel durante a noite pode beneficiar de preços diferentes por período. Já uma casa com consumo espalhado ao longo do dia pode obter mais simplicidade e, em alguns casos, um custo inferior com uma única tarifa.

Em Portugal, estas alternativas são chamadas opções horárias. A tarifa simples aplica um preço sem diferenciação por hora, a bi-horária separa vazio e fora de vazio e a tri-horária divide o consumo em vazio, cheias e ponta. Esta escolha não deve ser confundida com um contrato fixo ou indexado: a opção horária distribui os kWh, enquanto o contrato define os preços e condições.

Opção horária Número de preços Perfil que tende a beneficiar
Tarifa simples Um preço de energia Consumo distribuído pelo dia, pouca flexibilidade de horários ou utilização doméstica reduzida.
Tarifa bi-horária Vazio e fora de vazio Parte relevante do consumo pode ser transferida para o vazio, por exemplo termoacumulador, máquinas ou carregamento.
Tarifa tri-horária Vazio, cheias e ponta Consumo elevado e controlável, com capacidade para reduzir especialmente a utilização nos períodos de ponta.

Como funciona a tarifa simples?

Na tarifa simples, o preço contratual da energia é igual independentemente do período em que ocorre o consumo. Isto não significa que a eletricidade tenha sempre o mesmo custo no mercado grossista, mas sim que o contrato não separa os seus kWh em diferentes blocos horários para faturação. É uma opção fácil de compreender e de comparar, porque basta multiplicar o consumo pelo preço aplicável, adicionando depois potência contratada, acesso às redes, impostos e outras componentes da fatura.

A tarifa simples pode ser adequada para apartamentos com consumo baixo, casas onde há pessoas durante todo o dia ou famílias que não conseguem alterar rotinas. Também pode compensar quando o consumo noturno é pequeno. Escolher uma tarifa bi-horária apenas porque o preço de vazio parece baixo pode ser um erro se a maioria dos kWh continuar a ser utilizada fora desse período, onde o preço pode ser superior ao da opção simples.

Quando a tarifa bi-horária pode compensar?

A tarifa bi-horária utiliza dois preços. O vazio corresponde normalmente aos períodos de menor procura, enquanto o fora de vazio reúne as restantes horas. O potencial de poupança surge quando uma percentagem suficiente do consumo é deslocada para o vazio. Não basta ligar uma máquina ocasionalmente à noite; é preciso avaliar o peso real desses equipamentos no total mensal.

Um termoacumulador programado, uma bomba de calor com gestão horária, uma máquina de lavar e secar usada com frequência ou um veículo elétrico podem aumentar bastante o consumo em vazio. Antes de mudar, consulte a sua fatura ou a área de cliente do contador inteligente e verifique quantos kWh consome em cada período. Para saber exatamente quando começa e termina cada intervalo, veja o guia sobre horas de vazio, que explica também a diferença entre ciclo diário e semanal.

A tarifa tri-horária é indicada para uma casa?

A tarifa tri-horária separa o consumo em três períodos: vazio, cheias e ponta. A lógica é semelhante à bi-horária, mas exige maior controlo. O período de ponta tende a ter o preço mais elevado e deve concentrar o mínimo possível do consumo flexível. As cheias ocupam uma posição intermédia, enquanto o vazio é geralmente o período mais barato.

Esta opção pode fazer sentido em habitações com consumo elevado e vários equipamentos programáveis. Contudo, maior complexidade não garante uma fatura menor. Se cozinha, aquecimento e principais aparelhos funcionarem nos períodos de ponta, o custo pode aumentar. A tri-horária deve, por isso, ser testada com dados reais.

Exemplo de comparação com 300 kWh por mês

O exemplo seguinte usa preços fictícios, sem IVA, potência contratada, taxas ou outros encargos. Serve apenas para mostrar como a distribuição do consumo altera o resultado. Os preços reais dependem do contrato e podem mudar, por isso devem ser substituídos pelos valores da sua proposta ou fatura.

Cenário ilustrativo Distribuição do consumo Custo da energia
Simples a 0,18 €/kWh 300 kWh ao mesmo preço 54,00 €
Bi-horária com pouco vazio 30% a 0,12 €/kWh e 70% a 0,21 €/kWh 54,90 €
Bi-horária com muito vazio 60% a 0,12 €/kWh e 40% a 0,21 €/kWh 46,80 €
Tri-horária bem gerida 40% vazio, 45% cheias e 15% ponta 49,95 €

Neste exemplo, a tarifa bi-horária só supera claramente a simples quando uma parte considerável do consumo passa para o vazio. Com os preços usados, o ponto de equilíbrio fica perto de um terço do consumo mensal no período mais barato. Esta percentagem não é universal: muda sempre que mudam os preços de vazio, fora de vazio ou simples. A conta correta é feita com os preços do contrato e com o seu perfil de consumo.

Ciclo diário ou semanal na contagem bi-horária?

Depois de escolher uma opção com vários períodos, é necessário considerar o ciclo. O ciclo diário repete uma estrutura semelhante todos os dias, enquanto o ciclo semanal distingue dias úteis e fim de semana. A escolha depende das rotinas da casa. Quem está fora durante a semana e concentra lavagens, cozinha ou carregamentos ao fim de semana pode adaptar-se melhor ao ciclo semanal. Quem mantém hábitos semelhantes todos os dias pode preferir o ciclo diário.

Os horários concretos podem ser atualizados e também variam conforme o ciclo e a zona aplicável. Por essa razão, não deve tomar a decisão com base numa tabela antiga encontrada online. Confirme os períodos na informação do seu contrato e compare-os com as horas em que efetivamente utiliza os maiores equipamentos. Para planear consumos flexíveis do dia seguinte, pode também consultar o preço da eletricidade amanhã, sobretudo quando o contrato acompanha preços de mercado.

Como calcular se vale a pena mudar?

Comece por reunir pelo menos alguns meses de consumo, evitando decidir apenas com base num mês de férias ou num período de aquecimento excecional. Identifique o consumo total e, quando disponível, os kWh registados por período. Depois multiplique cada bloco pelo respetivo preço de energia e some os resultados. Faça o mesmo para as outras opções horárias.

Compare também potência, mensalidades, descontos e condições comerciais. Um preço de vazio atrativo pode ser acompanhado por um valor fora de vazio elevado ou por uma mensalidade que reduz a poupança. Alterar horários também pode não compensar se exigir desconforto constante.

Também é útil separar potência e energia. A potência contratada está relacionada com os equipamentos que podem funcionar ao mesmo tempo, enquanto a opção horária depende de quando os kWh são consumidos. Reduzir um escalão de potência e escolher melhor os horários são medidas diferentes e devem ser avaliadas separadamente.

Que equipamentos vale a pena deslocar para o vazio?

Os melhores candidatos são equipamentos com consumo significativo e funcionamento programável. Entre eles estão termoacumuladores, máquinas de lavar roupa e loiça, secadores, sistemas de climatização com acumulação e carregadores de veículos elétricos. Pequenos aparelhos, como carregadores de telemóvel, raramente alteram de forma relevante a percentagem mensal de vazio.

Utilize programadores adequados e respeite as instruções dos equipamentos. O objetivo não é transferir todo o consumo para a noite, mas mover cargas flexíveis sem prejudicar a segurança ou o conforto.

Erros frequentes ao escolher uma opção horária

O primeiro erro é comparar apenas o preço mais baixo anunciado. Numa tarifa bi-horária, os dois preços importam; numa tri-horária, os três devem ser considerados. O segundo é estimar hábitos em vez de consultar medições. Muitas famílias acreditam que consomem sobretudo à noite, mas os dados mostram um peso elevado da cozinha, aquecimento ou entretenimento ao fim da tarde.

Outro erro é confundir opção horária com contrato fixo ou indexado. Antes de decidir, leia a comparação entre tarifa fixa ou indexada e confirme como o comercializador calcula a energia em cada período.

Qual tarifa escolher para a sua casa?

A tarifa simples tende a ser a escolha mais prática quando o consumo é reduzido, está distribuído ao longo do dia ou não pode ser deslocado. A tarifa bi-horária pode compensar quando uma parte relevante dos kWh passa regularmente para o vazio. A tri-horária exige maior controlo e costuma ser mais adequada quando há consumo elevado e capacidade para evitar os períodos de ponta.

A decisão final deve resultar de uma simulação anual com dados reais. Recolha o consumo por período, aplique os preços completos de cada proposta e teste uma alteração realista de hábitos. A melhor tarifa de eletricidade não é a que apresenta o menor preço isolado, mas a que produz o menor custo total para o perfil de consumo da sua casa.

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